Ataques russos ampliam tensão entre Ucrânia e Estados Unidos
Kiev relata falhas em alertas de mísseis e restrições a sistemas de comunicação enquanto Trump critica Zelensky.
Ataques russos contra Kiev e Kharkiv, na Ucrânia, em 14 de outubro, atingiram instalações de petróleo, gás e energia e agravaram a tensão entre os governos de Volodymyr Zelensky e Donald Trump. O episódio ocorreu em meio a divergências sobre uma trégua energética e ao receio ucraniano de perder apoio militar e de inteligência dos Estados Unidos.
No dia seguinte, Vladimir Putin justificou as operações como resposta a ataques ucranianos em território russo. Zelensky anunciou que Kiev retomaria ofensivas contra refinarias russas, suspensas temporariamente, segundo ele, para abrir espaço a negociações. Moscou e Kiev não confirmaram publicamente a trégua energética anunciada por Trump.
Ataques e tensão diplomática
A Rússia lançou mais de 120 drones e 39 mísseis balísticos contra a Ucrânia na quarta-feira, segundo o material divulgado pela fonte. Zelensky afirmou que mais de 600 mil pessoas ficaram sem eletricidade e que mísseis foram detectados perto da capital sem o aviso antecipado que, de acordo com o presidente, costuma ser repassado pelos aliados.
Números citados sobre a ofensiva russa na Ucrânia.
- Mais de 120Drones lançadosContra a Ucrânia
- 39Mísseis balísticosLançados pela Rússia
- Mais de 600 milPessoas sem eletricidadeSegundo Zelensky
Trump havia dito, em 13 de outubro, que Washington continuava compartilhando informações com os ucranianos. A declaração não esclareceu a queixa de Kiev sobre a falta de alertas prévios antes de ataques com mísseis. Putin atribuiu as ações russas à resposta a ofensivas ucranianas contra instalações na Rússia.
Restrições a sistemas de comunicação
Autoridades ucranianas também relataram limitações em serviços de comunicação por satélite usados pelas forças do país, incluindo Starlink e Starshield. Segundo o conselheiro presidencial Serhiy Beskrestnov, as tropas não foram avisadas antes da restrição, que teria interrompido missões militares.

Elon Musk negou ter reduzido a velocidade do Starlink e disse que o Starshield pertence ao governo dos Estados Unidos, que controla o sistema. Ele também afirmou que o serviço comercial Starlink não deve ser usado em operações militares ofensivas. As tecnologias são empregadas pelas forças ucranianas na comunicação, na coordenação de drones e na resposta a aeronaves não tripuladas russas.
Divergências sobre energia e liderança
Trump pressionou Kiev a parar os ataques a refinarias e outras estruturas energéticas russas. O presidente americano argumenta que as ofensivas ucranianas contribuem para a alta dos combustíveis e anunciou um entendimento para a compra de diesel russo, decisão criticada por Zelensky e que, segundo Kiev, beneficia Moscou.
Trump também defendeu que a Ucrânia escolha outro presidente, por considerar que Zelensky perdeu oportunidades de negociar um acordo. O líder ucraniano disse que considera doloroso ver o americano assumir posições contrárias aos interesses de Kiev e lamentou a deterioração da relação entre os dois países. Zelensky classificou ainda como perigosa a lacuna no compartilhamento de informações de inteligência.
Com informações de metropoles.com.
Foto de capa: Press Service of the President of Ukraine/Wikimedia Commons (CC BY 4.0)
