Javier Milei vira tema da eleição brasileira por modelo econômico e custo social
Flávio Bolsonaro elogia o ajuste argentino, enquanto Lula destaca seus efeitos sobre pobreza, emprego e consumo.
O modelo econômico do presidente argentino Javier Milei virou tema da eleição brasileira de 2026. Flávio Bolsonaro o apresenta como exemplo de ajuste das contas públicas e redução da burocracia; Lula, por outro lado, alerta para os custos sociais das medidas adotadas na Argentina.
A discussão inclui os resultados econômicos do chamado Plano Motosserra e seus efeitos sobre empresas, trabalhadores e famílias. O equilíbrio das contas públicas também está entre os principais temas econômicos das campanhas, segundo reportagem do g1 publicada em 23 de outubro de 2026.
O que significa a motosserra de Milei?
A expressão se refere ao programa de ajuste econômico que Milei prometeu aplicar ao assumir a Presidência argentina, em 2023. O plano incluiu cortes profundos nos gastos públicos, fim de subsídios, desvalorização do peso e desregulamentação.
O que mudou na economia da Argentina com Milei?
A inflação anual caiu de 211,4% em 2023 para 31,5% em 2025, o menor nível em oito anos, de acordo com os dados apresentados pelo g1. O país também passou a arrecadar mais do que gasta, ampliou as exportações e voltou a registrar saldo positivo no comércio exterior.
Números citados na reportagem sobre o governo Milei.
- 211,4%Inflação em 2023
- 31,5%Inflação em 2025Menor nível em oito anos
- Quase 115%S&P Merval em dólaresAlta em 2024
- 174%S&P Merval em pesosAlta em 2024
- 4,4%PIB em 2025Crescimento
- 7,9%DesempregoMaior nível desde 2021
Em 2024, o principal índice de ações argentino, o S&P Merval, subiu quase 115% em dólares e 174% em pesos. Em 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 4,4%. A reportagem ressalta, porém, que a euforia dos investidores perdeu força diante de dificuldades para acumular reservas em dólar, da desvalorização do peso e da perda de capital político do governo.
Quais foram os efeitos para empresas e trabalhadores?
O ajuste também coincidiu com dificuldades para empresas, mercado de trabalho, renda e consumo das famílias. Segundo os dados mais recentes citados pelo g1, mais de 32 mil empresas fecharam ou deixaram de ter funcionários registrados desde o início do governo Milei, e o desemprego chegou a 7,9%, o maior nível desde 2021.
A pobreza voltou a crescer e atingiu um terço da população, segundo a reportagem. Em San Fernando, nos arredores de Buenos Aires, o comerciante Gustavo Raúl Pérez resumiu a queda nas vendas de sua loja de ferragens: “Eu costumava vender 10 carrinhos de mão. Agora, vendo um.”
Como está a popularidade de Milei?
A desaprovação de Milei aumentou, sobretudo entre as pessoas de menor renda. Uma pesquisa da AtlasIntel divulgada em setembro apontou que quase 70% dos entrevistados que ganham até cerca de US$ 650 por mês desaprovavam o presidente, enquanto menos de 30% o aprovavam.
No conjunto da população, a desaprovação foi de 58%, ante 38,1% de aprovação. Um ano antes, os índices entre os entrevistados de menor renda eram de 57% de desaprovação e 37% de aprovação, segundo a pesquisa citada pelo g1.
Como Milei entrou no debate eleitoral brasileiro?
Milei se aproximou de Flávio Bolsonaro, que defendeu a política econômica argentina e elogiou a melhora de indicadores do país. O plano de governo de Flávio promete um “tesouraço” para reduzir gastos e impostos, mas, segundo o g1, não detalha como os cortes seriam feitos.
A campanha de Lula usa os efeitos sociais do ajuste argentino para criticar a possibilidade de adotar medidas semelhantes no Brasil. Durante o primeiro debate presidencial do segundo turno, Lula questionou Flávio sobre sua proximidade com Milei e se ele pretendia seguir o modelo argentino; Flávio não respondeu diretamente.
Perguntas frequentes
Javier Milei é de direita ou de esquerda?
A biografia de referência o descreve como um libertário de direita e ultraliberal. Milei lidera o Partido Libertário e a coalizão La Libertad Avanza.
Quando Javier Milei foi eleito presidente?
Milei foi eleito em 2023, no segundo turno, com 55,65% dos votos, segundo a biografia de referência. Ele assumiu a Presidência argentina em 10 de dezembro daquele ano.
Qual é o nome completo de Javier Milei?
O nome completo é Javier Gerardo Milei, de acordo com a biografia de referência.
Foto de capa: Quirinale/Wikimedia Commons (Attribution)
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