Educação autoritária pode elevar risco de depressão e agressividade em crianças
Estudo feito na China e observações de especialistas associam práticas rígidas e violentas a problemas emocionais e de comportamento.
Um estudo recente realizado na China associou a educação rígida e autoritária a maior risco de sintomas depressivos e comportamento agressivo em crianças. A pesquisa reforça observações de especialistas sobre os efeitos de práticas marcadas por gritos, ameaças, críticas ofensivas e controle excessivo.
Em reportagem publicada em 16 de outubro de 2026, especialistas ouvidos pela DW afirmaram que episódios isolados de irritação não definem, por si só, uma relação autoritária. O alerta é para padrões repetidos de violência e coerção, que podem prejudicar a forma como a criança reconhece e regula as próprias emoções.
Efeitos podem aparecer de formas diferentes
O psiquiatra e psicólogo Stephan Bender, do Hospital Universitário de Colônia, na Alemanha, afirma que a obediência obtida pelo medo pode ter consequências. Segundo ele, a experiência recorrente de impotência é um fator de risco para a depressão, e a rigidez crônica pode ser traumática.
Bender também observa diferenças na maneira como o sofrimento pode se manifestar. Na prática clínica dele, meninos tendem mais a expressar dificuldades por meio de comportamentos problemáticos, enquanto meninas podem desenvolver problemas emocionais, ansiedade, depressão ou transtornos alimentares, sobretudo a partir da puberdade.
A psiquiatra Evelien van Assche, do Hospital Universitário de Münster, na Alemanha, encontrou indícios de uma relação entre ambientes familiares descritos como mais violentos e variações na metilação do DNA de jovens. A pesquisadora ressalva que os resultados são indícios, não uma comprovação de que a educação autoritária cause alterações que levem à depressão.
Relação e limites também importam
Van Assche afirma que pais emocionalmente disponíveis, que escutam os filhos e levam a sério seus medos e preocupações, ajudam a construir uma relação de base. Para ela, um momento isolado de irritação tem peso diferente quando existe esse vínculo.
Regras e limites continuam necessários, segundo a psiquiatra, mas devem ser comunicados de forma clara e acompanhados de consequências adequadas quando forem ultrapassados. Bender acrescenta que sua equipe desenvolveu treinamentos para ajudar pais a apoiar os filhos em diferentes situações.
Com informações de g1.
