Economia brasileira em 2026: dólar sobe, mas investimento direto bate recorde
Moeda americana chegou a R$ 5,40 após a reação do mercado ao resultado eleitoral; economistas divergem sobre os rumos do crescimento.
O dólar fechou a R$ 5,40 em 26 de outubro de 2026, depois de terminar a sexta-feira anterior a R$ 4,993, uma alta de 8,21%. A oscilação veio após o resultado eleitoral frustrar apostas de parte dos investidores, segundo reportagem do UOL; economistas ouvidos pela publicação avaliaram que a reação refletiu mais a surpresa política do que as condições da economia brasileira.
Ao mesmo tempo, o Brasil recebeu US$ 88,3 bilhões em investimento direto estrangeiro nos 12 meses encerrados em setembro. Só naquele mês entraram US$ 11,3 bilhões, o maior valor para setembro desde o início da série histórica, em 1995, de acordo com o Banco Central.
Como está a economia brasileira em 2026?
Os indicadores reunidos pela reportagem mostram crescimento médio maior e inflação média menor durante o atual governo Lula do que no governo Jair Bolsonaro. As comparações usam períodos diferentes, conforme cada indicador.
| Indicador | Governo Lula | Governo Bolsonaro |
|---|---|---|
| Crescimento médio anual do PIB | Quase 3% | 1,4% |
| Inflação média anual pelo IPCA | 4,6% | 6,1% |
| Desemprego no período citado | 5,3% em agosto | 7,9% ao fim do governo |
Os dados são apresentados pela reportagem do UOL. O desemprego de 5,3% foi medido pelo IBGE em agosto; o índice de 7,9% corresponde ao encerramento do governo anterior. A inflação chegou a 10% em 2021, ainda durante a gestão Bolsonaro.
O que move a economia brasileira?
O consumo das famílias é apontado pela economista Juliane Furno, professora da Universidade Federal Fluminense, como o principal componente da demanda no país. Na avaliação dela, pessoas com renda e poder de compra sustentam as vendas e influenciam a decisão das empresas de abrir lojas, construir fábricas ou ampliar operações.
Furno também argumenta que investimento público pode gerar emprego e estimular o investimento privado. Ela contesta a ideia de que cortar gastos em saúde e educação seja o caminho para equilibrar as contas e defende rever incentivos fiscais concedidos a grandes setores empresariais.
Quanto o Brasil recebeu em investimento estrangeiro?
O investimento direto estrangeiro somou US$ 88,3 bilhões nos 12 meses até setembro, segundo o Banco Central. Esse tipo de capital inclui operações como a construção de fábricas, a compra de participação relevante em empresas e a expansão de negócios no país, conforme explicou Furno à reportagem.
Valores citados para setembro e anos anteriores.
- US$ 88,3 bilhões12 meses até setembroInvestimento direto estrangeiro
- US$ 11,3 bilhõesSetembroRecorde para o mês desde 1995
- US$ 37,8 bilhões2020Investimento anual
- US$ 74,6 bilhões2022Investimento anual
| Período ou referência | Investimento direto estrangeiro |
|---|---|
| 12 meses até setembro | US$ 88,3 bilhões |
| Setembro | US$ 11,3 bilhões |
| 2020 | US$ 37,8 bilhões |
| 2022 | US$ 74,6 bilhões |
O valor de setembro foi o maior para esse mês desde 1995, quando começou a série histórica. Nos anos do governo Bolsonaro, o total anual oscilou entre US$ 37,8 bilhões, em 2020, e US$ 74,6 bilhões, em 2022, segundo os dados citados pelo UOL.
O que esperar da economia brasileira em 2027?
Os economistas divergem sobre o próximo ciclo. Paulo Gala, professor da Fundação Getulio Vargas em São Paulo, avalia que o crescimento baseado na criação de empregos e no aumento do poder de compra perdeu força. Para ele, manter estímulos à demanda pode pressionar a inflação, e o desafio passa a ser ampliar a capacidade produtiva e a inovação industrial.
Gala defende o uso de bancos públicos para financiar inovação e investimento produtivo. A reportagem também cita a Nova Indústria Brasil, política industrial lançada em 2024 e financiada com recursos públicos e linhas de crédito subsidiadas do BNDES.
O debate fiscal é outro ponto de atenção. A dívida pública bruta está perto de 83% do PIB, e a Instituição Fiscal Independente calcula que seria necessário um ajuste de R$ 450 bilhões para estabilizá-la em 2027. Antonio Corrêa de Lacerda, professor da PUC-SP, descreveu a alta do dólar como um ajuste pontual, enquanto Furno relacionou a oscilação do mercado à frustração política dos investidores.
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