Preço do diesel: governo mantém subsídio de R$ 2,12 por litro por mais 30 dias
Diesel comum e S-10 ficaram mais caros na primeira quinzena de outubro; o combustível pesa nos custos do agronegócio e do transporte.
O governo federal prorrogou em 27 de outubro de 2026 por mais 30 dias o subsídio ao diesel, mantendo o benefício em R$ 2,12 por litro. A medida busca amenizar no mercado brasileiro os efeitos da alta internacional do petróleo, pressionado por conflitos no Oriente Médio e pela guerra entre Rússia e Ucrânia.
Na primeira quinzena de outubro, o preço médio do diesel comum chegou a R$ 7,20 por litro, alta de 6,67%, e o do S-10 foi a R$ 7,46, aumento de 5,07%, segundo o Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL). O subsídio não significa que o preço nos postos cairá exatamente no valor do benefício: a medida tem como objetivo conter a pressão sobre os preços.
Qual é o preço médio do diesel?
Na primeira metade de outubro, o diesel comum teve média de R$ 7,20 por litro no país, e o S-10, de R$ 7,46, conforme o IPTL. Os valores variam entre regiões; os dados a seguir foram citados na reportagem do g1.
| Tipo de diesel | Local ou recorte | Preço por litro | Variação informada |
|---|---|---|---|
| Comum | Brasil, primeira quinzena de outubro | R$ 7,20 | Alta de 6,67% |
| S-10 | Brasil, primeira quinzena de outubro | R$ 7,46 | Alta de 5,07% |
| Comum | Norte | R$ 7,75 | — |
| S-10 | Norte | R$ 7,80 | — |
| Comum | Roraima | R$ 8,19 | — |
| S-10 | Acre | R$ 8,30 | — |
| Comum | Sul e Sudeste | R$ 6,97 | — |
O diesel comum acumulou alta de 15,2% em relação a janeiro, segundo o IPTL. Os dados citados não informam um preço específico para São Paulo nem para o diesel S-500.
Por que o preço do diesel subiu?
A alta do petróleo no mercado internacional e a desvalorização do real pressionam os custos do diesel, segundo a reportagem. O barril do Brent, referência internacional, ficou entre US$ 100 e US$ 106 na primeira quinzena de outubro e alcançou US$ 113,17 em 22 de outubro.
O Brasil também importa parte do diesel que consome. Em agosto, o combustível importado representou 23,14% das vendas nacionais de diesel A, que ainda não contém a mistura obrigatória de biodiesel, de acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Quanto diesel o Brasil produz e importa?
A produção nacional não cobriu todo o consumo no primeiro semestre de 2026, segundo a ANP. O país produziu 154,8 milhões de barris e importou 43,5 milhões; as importações corresponderam a 20,4% do consumo no período.
Brasil no primeiro semestre de 2026, segundo a ANP
- 213,2 milhões de barrisConsumoPrimeiro semestre de 2026
- 154,8 milhões de barrisProdução nacionalPrimeiro semestre de 2026
- 43,5 milhões de barrisImportaçõesPrimeiro semestre de 2026
- 20,4%Parcela importadaDo consumo no período
Como o diesel mais caro afeta o agronegócio?
O combustível é usado em máquinas agrícolas e no transporte de insumos e da produção, por isso o aumento pode elevar os custos do campo e do frete. O custo adicional pode reduzir a margem de produtores e empresas ou ser repassado aos compradores, mas esse repasse não ocorre necessariamente de forma integral ou imediata, conforme contratos, concorrência e margens.
Agricultores do Rio Grande do Sul manifestaram preocupação com a possibilidade de falta de diesel antes do plantio da safra de verão. A dependência do transporte rodoviário também amplia o impacto do combustível mais caro sobre o deslocamento de mercadorias no país.
Por que o Brasil importa diesel?
Ter petróleo não significa produzir combustível suficiente: o óleo precisa ser processado em refinarias. No primeiro semestre de 2026, o país consumiu 213,2 milhões de barris de diesel, enquanto a produção nacional somou 154,8 milhões e as importações, 43,5 milhões, segundo a ANP.
A capacidade de refino é apontada na reportagem como parte da explicação para a dependência externa. O especialista Francismar Ferreira, do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), defende ampliar e modernizar as refinarias brasileiras e rever os investimentos da Petrobras no setor.
Foto de capa: Michel Temer/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)



