Relatório aponta falhas no Consórcio Guaicurus e pede revisão da concessão
Documento preliminar entregue à Prefeitura e à Câmara de Campo Grande registra problemas na frota, nas viagens e nos controles financeiros.
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O relatório preliminar da intervenção no transporte coletivo de Campo Grande, entregue nesta terça-feira (22) à Prefeitura e à Câmara de Vereadores, identificou falhas de gestão no Consórcio Guaicurus e recomendou a reestruturação do contrato de concessão. O documento, elaborado pelo interventor jurídico Alexandre Souza Moreira, aponta deficiências no planejamento, na manutenção dos ônibus, nos controles de despesas e na operação das linhas.
Segundo o diagnóstico, a redução de viagens e o envelhecimento da frota ocorreram sem diminuição do número de veículos. A equipe interventora também registrou despesas que ainda precisam ter sua relação com o serviço esclarecida e recomendou auditoria sobre movimentações entre empresas e gastos com dívidas antigas.
Falhas na frota e nas viagens
O documento de 177 páginas informa que, entre 2023 e 2025, as viagens realizadas caíram cerca de 14%, enquanto a quilometragem percorrida recuou 15,2%. A idade média dos ônibus chegou a aproximadamente 10,4 anos em 2026, mais que o dobro do parâmetro de cinco anos previsto no contrato.
Indicadores do relatório preliminar
Infográfico com dados das fontes citadas na notícia.
A junta interventora afirmou que havia falta de procedimentos básicos para administrar os recursos disponíveis. Entre os problemas citados estão a ausência de orçamento anual aprovado, de regras para autorizar despesas e de separação entre as funções de compra, controle e aplicação de materiais.
| Indicador | Dado apontado no relatório |
|---|---|
| Queda das viagens entre 2023 e 2025 | 14% |
| Queda da quilometragem entre 2023 e 2025 | 15,2% |
| Idade média da frota em 2026 | 10,4 anos |
| Parâmetro contratual para os veículos | 5 anos |
Contrato e contas ainda serão analisados
O relatório reconhece restrição de caixa e valores que o consórcio teria a receber do poder público, mas não conclui se há desequilíbrio econômico-financeiro no contrato. Assim, o documento não define eventual recomposição de valores às concessionárias nem estabelece aumento de tarifa.
A revisão contratual prevista para 2019, segundo o relatório, não havia sido implementada até o início da intervenção, decretada em 16 de junho. A recomendação é rever os aspectos técnicos, operacionais, jurídicos e financeiros da concessão e atualizar os estudos sobre os deslocamentos de passageiros.
Próximos passos da intervenção
A equipe propôs um programa de renovação da frota, manutenção preventiva e melhorias nos controles de compras, estoques e indicadores de fiscalização. Os resultados são preliminares e poderão ser alterados ou complementados após auditoria independente.
De acordo com o vereador Dr. Lívio Leite, que conversou com o interventor, não haverá interrupção do serviço à população. O parlamentar disse ainda que dívidas estão sendo renegociadas, com vencimentos levados para o início do próximo ano, sem detalhar valores ou obrigações incluídas.
Com informações de campograndenews.com.br.