22 de setembro de 2026

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Empreendedorismo, gestão e finanças para pequenos negócios

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GeralGestão financeira

Relatório aponta insolvência e falhas de gestão no Consórcio Guaicurus

Intervenção em Campo Grande encontrou caixa insuficiente, dívidas tributárias e frota acima da idade prevista em contrato.

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Três meses após o início da intervenção no Consórcio Guaicurus, um relatório parcial entregue nesta terça-feira (22) à Prefeitura e à Câmara Municipal de Campo Grande apontou insolvência imediata, problemas na frota e falhas de gestão da concessionária do transporte coletivo.

A intervenção foi formalizada em 16 de junho de 2026, após mais de 21 mil autuações aplicadas pela Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) entre 2021 e 2025. Segundo o documento, a situação encontrada colocava o sistema diante de risco concreto de nova paralisação total.

Diagnóstico financeiro e operacional

Na data de início da intervenção, as empresas do consórcio tinham R$ 415,2 mil em caixa, enquanto o adiantamento salarial de motoristas e outros funcionários passava de R$ 1,03 milhão. As linhas de conta garantida estavam com 99% de uso, de acordo com o relatório.

Números da crise apontada no relatório

R$ 415,2 mil
Caixa em 16 de junho
Início da intervenção
Mais de R$ 1,03 milhão
Adiantamento salarial
Motoristas e funcionários
R$ 5,86 milhões
Dívida com combustível
Títulos vencidos
R$ 4,86 milhões
INSS e IRRF atrasados
Não parcelados
10,4 anos
Idade média da frota
Limite contratual: cinco anos

Infográfico com dados das fontes citadas na notícia.

O documento também registrou R$ 5,86 milhões em títulos vencidos com fornecedores de combustível, R$ 4,86 milhões em INSS e IRRF atrasados e não parcelados e passivos federais superiores a R$ 31 milhões. O estoque de diesel estava em nível crítico.

Indicador Dado apontado no relatório
Caixa em 16 de junho R$ 415,2 mil
Adiantamento salarial Mais de R$ 1,03 milhão
Títulos vencidos com fornecedores de combustível R$ 5,86 milhões
INSS e IRRF vencidos R$ 4,86 milhões
Passivos federais consolidados Mais de R$ 31 milhões

Na operação, a frota tinha idade média de 10,4 anos, acima do limite contratual de cinco anos. Dos 460 veículos do sistema, 210 foram fabricados até 2015. Entre 2023 e 2025, as viagens caíram cerca de 14%, a quilometragem recuou 15,2% e o número de passageiros pagantes diminuiu 12,3%.

Controles e custos sob questionamento

A equipe de intervenção atribuiu parte dos custos a práticas consideradas ineficientes. Entre os problemas apontados estão manutenção majoritariamente corretiva, uso inferior a 40% da capacidade do sistema ERP Globus, controles paralelos em planilhas e falhas no almoxarifado.

Relatório registrou divergências de estoque e requisições feitas em papel.
Relatório registrou divergências de estoque e requisições feitas em papel.

O relatório cita ainda requisições feitas em papel, divergências de estoque e desativação do controle de garantias de peças. Também menciona transações entre empresas relacionadas, despesas com imóveis de partes relacionadas e encargos de atrasos tributários como fatores que podem distorcer o custo do sistema.

Os interventores afirmam que essas despesas não devem ser automaticamente repassadas aos usuários ou ao Tesouro Municipal. O documento também diz que os seguros obrigatórios da frota estavam inadimplidos desde 2016 e que os 11 indicadores de desempenho previstos no contrato não eram calculados pelas empresas.

O que diz o consórcio

Em nota ao g1, o Consórcio Guaicurus contestou as conclusões do relatório parcial. A empresa afirmou que opera em situação de desequilíbrio econômico-financeiro no contrato de concessão e atribuiu o cenário à falta de revisões contratuais em 2019 e 2026, além de atrasos e pagamento incompleto do subsídio tarifário previsto em aditivo de 2022.

Segundo a concessionária, as falhas descritas não seriam resultado de sua gestão, mas do não cumprimento integral do contrato pela Prefeitura de Campo Grande. O consórcio informou que seguirá apresentando seus argumentos no processo administrativo.

Próximas etapas da intervenção

Para conter a crise, a intervenção centralizou compras, passou a supervisionar os dados operacionais, unificou o comando de manutenção e almoxarifado e mudou a estrutura técnica de gestão do estoque. As medidas buscam priorizar gastos essenciais e manter os ônibus em operação.

A equipe fará uma auditoria externa sobre a situação financeira e operacional. Após o relatório final, a Prefeitura de Campo Grande deverá decidir os rumos da concessão. A intervenção pode durar até 180 dias.

Com informações de g1.

Tiago da Silva Cândido

Tiago da Silva Cândido é especialista em SEO em Maceió (AL), com atuação em SEO técnico, e-commerce na plataforma VTEX, SaaS e link building. Coordena o link building da AceleraVix e o SEO da D2UN, e já passou por Moskit CRM, Agência FG e Carajás Home Center. É o responsável pelo Folha de Negócios.