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Smart Sampa: vazamento expôs imagens de 58 mil câmeras e 181 senhas

A prefeitura de São Paulo atribuiu a divulgação a um agente da Guarda Civil Metropolitana, afastado e investigado pela Corregedoria.

Informações de acesso ao Smart Sampa, sistema de câmeras e reconhecimento facial da Prefeitura de São Paulo, ficaram expostas na internet por 11 meses, segundo reportagem do UOL publicada em 20 de outubro de 2026. O vazamento envolveu imagens captadas por 58 mil câmeras e 181 combinações de login e senha, de acordo com o g1.

As credenciais permitiam acessar uma plataforma da Sentinelx, empresa que integra o consórcio responsável pelo sistema. A prefeitura afirmou que a divulgação foi feita ilegalmente por um agente da Guarda Civil Metropolitana (GCM), afastado do cargo e investigado pela Corregedoria. A administração municipal negou falha no sistema.

O que é o Smart Sampa e como funciona

O Smart Sampa é um programa municipal de monitoramento e segurança urbana que usa câmeras e inteligência artificial para identificar pessoas procuradas ou desaparecidas. As imagens são analisadas por sistemas de reconhecimento facial, que podem gerar alertas para avaliação de um operador.

InfográficoNúmeros do vazamento

Dados reportados sobre a exposição no Smart Sampa

181
logins e senhasExpostos na internet
  • 58 milCâmerasImagens captadas pelo sistema
  • 181CredenciaisLogins e senhas expostos
  • 11 mesesPeríodoTempo de exposição informado
Fonte: UOL, citado pelo g1Folha de Negócios

A plataforma da Sentinelx também permite buscar características visuais em imagens e gerenciar ocorrências. Segundo a descrição da empresa publicada pelo g1, um operador humano avalia os alertas antes de decidir se é necessário enviar uma viatura.

O que vazou no Smart Sampa

A reportagem do UOL, citada pelo g1, informou que 181 logins e senhas permaneceram expostos na internet por 11 meses. As credenciais davam acesso ao sistema da Sentinelx e às imagens produzidas pelas 58 mil câmeras do programa.

O g1 não informou se as imagens foram baixadas ou divulgadas por terceiros. A Sentinelx não respondeu ao contato do veículo até a publicação da reportagem.

O que a prefeitura fez após o vazamento

A Prefeitura de São Paulo informou que retirou do ar o repositório que permitia acessar as imagens e reforçou a segurança com senhas exclusivas e autenticação em dois fatores. Segundo o prefeito Ricardo Nunes, o agente investigado entrou na GCM em 2023 e mantinha senhas armazenadas.

A empresa diz que sua plataforma tem controles que limitam o acesso às informações conforme o cargo de cada usuário. A prefeitura atribuiu a divulgação ao agente, enquanto especialistas ouvidos pelo g1 questionaram a resposta do poder público e apontaram riscos ligados à exposição de dados de pessoas filmadas.

O vazamento pode violar a LGPD?

O advogado especialista em direito digital Luiz Augusto D’Urso afirmou ao g1 que o caso representa violação da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). Ele disse que ainda é preciso investigar se houve outros crimes e mencionou a possibilidade de responsabilização por violação de sigilo funcional.

Pablo Nunes, coordenador do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania, criticou a prefeitura por atribuir o problema a um servidor. Fernanda Rodrigues, diretora do Instituto de Referência em Internet e Sociedade, avaliou que a ocorrência mostra que ampliar o monitoramento por câmeras não garante, por si só, mais segurança.

Foto de capa: joao batista Shimoto/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Tiago da Silva Cândido

Tiago da Silva Cândido é especialista em SEO em Maceió (AL), com atuação em SEO técnico, e-commerce na plataforma VTEX, SaaS e link building. Coordena o link building da AceleraVix e o SEO da D2UN, e já passou por Moskit CRM, Agência FG e Carajás Home Center. É o responsável pelo Folha de Negócios.