Bloqueador de celular: aparelhos em presídios são bloqueados em até 30 minutos
Equipamentos portáteis identificam celulares clandestinos; o bloqueio é solicitado à Anatel e feito pelas operadoras.
O governo federal usa equipamentos portáteis para identificar e bloquear celulares clandestinos em presídios brasileiros. A tecnologia faz parte da estratégia para impedir que lideranças de facções usem as cadeias como centros de comando de crimes nas ruas, segundo a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen).
Em entrevista publicada em 19 de outubro de 2026, o secretário nacional de Políticas Penais, André Garcia, afirmou que, depois da identificação e do envio do relatório à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o bloqueio pode ocorrer em 20 a 30 minutos. A medida não depende da apreensão física do aparelho nem de autorização judicial específica, conforme decreto publicado em 13 de outubro.
O que é o bloqueador de celular usado em presídios
Nos presídios, o bloqueio começa com equipamentos que localizam celulares conectados às redes móveis. A Senappen informou que os dispositivos são transportados em mochilas táticas; depois que identificam um aparelho irregular, as equipes encaminham um relatório à Anatel.
A agência repassa o pedido à operadora, que bloqueia o aparelho nas redes móveis. As equipes também usam equipamentos para detectar sinais clandestinos de Wi-Fi, segundo Garcia.
Como funciona o bloqueio de celular
O procedimento descrito pela Senappen tem quatro etapas:

- O equipamento identifica um celular conectado à rede móvel.
- A equipe prepara um relatório sobre o aparelho.
- A Senappen encaminha as informações à Anatel.
- A Anatel envia o pedido à operadora, que bloqueia o dispositivo.
Garcia afirmou que o bloqueio pode ser concluído em 20 a 30 minutos depois do encaminhamento. A estratégia de identificação é chamada Operação Modo Avião. Em seguida, policiais penais fazem varreduras na Operação Mute para tentar apreender os celulares.
Quantos celulares foram encontrados em presídios
Na primeira operação no Rio de Janeiro após a publicação do decreto, foram identificados 143 dispositivos irregulares, posteriormente bloqueados pela Anatel, segundo a reportagem. Já a Operação Mute apreendeu celulares em unidades de todo o país.
Balanço da Senappen sobre apreensões em presídios brasileiros.
- 598Celulares apreendidosEntre 21 e 25 de setembro
- 107Presídios vistoriados
- 4.212Agentes mobilizados
- 3.604Celas revistadas
De acordo com balanço da Senappen, entre 21 e 25 de setembro, policiais penais apreenderam 598 celulares em 107 presídios brasileiros. A ação mobilizou 4.212 agentes, que revistaram 3.604 celas.
O secretário reconheceu que a entrada de aparelhos e outros materiais proibidos pode decorrer de falhas de segurança, problemas de protocolo ou facilitação por funcionários. Ele também citou dificuldades estruturais e falta de efetivo em algumas unidades como obstáculos à fiscalização.
Foto de capa: Porto Neto/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
