Bolsa Família: campanha de Flávio propõe transição de 2 anos
João Roma afirma que a proposta protege quem consegue emprego; regras sobre valor, renda e retorno ainda não foram detalhadas.
Em 19 de outubro de 2026, o ex-ministro da Cidadania João Roma defendeu, em entrevista à rádio Salvador FM, a proposta da campanha de Flávio Bolsonaro de manter por dois anos o Bolsa Família para beneficiários que entrem no mercado de trabalho. Segundo Roma, a medida busca evitar que famílias recusem empregos por medo de perder o auxílio.
A coordenadora econômica da campanha, Daniella Marques, havia anunciado a transição em entrevista à CBN Bahia. A proposta também abrange quem abrir um negócio, mas a campanha ainda não informou se o pagamento seria integral, qual seria o limite de renda nem como funcionaria o retorno ao programa.
O que é o Bolsa Família e como funciona
O Bolsa Família é um programa federal de transferência de renda para famílias de baixa renda. Criado no governo Luiz Inácio Lula da Silva, foi instituído por medida provisória em 2003 e convertido em lei em 9 de janeiro de 2004. O programa combina o pagamento de benefícios com condições relacionadas, entre outros pontos, à educação e à saúde das crianças.
Como funciona a regra atual de proteção
A regra vigente permite que algumas famílias continuem no programa por um período após a renda aumentar por causa do trabalho, desde que respeitem os limites previstos pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).
Para as famílias que passaram a receber renda do trabalho e entraram nessa regra a partir de julho de 2025, a permanência pode durar até 12 meses, com pagamento de 50% do benefício. A renda mensal por pessoa deve superar R$ 218, valor de referência para entrada no programa, e não passar de R$ 706.
Há condições diferentes para quem entrou na regra até junho de 2025: essas famílias podem permanecer por até 24 meses, com renda de até R$ 759 por pessoa. Segundo as informações divulgadas sobre a regulamentação do MDS, o prazo também varia conforme a origem da renda.
O que a campanha de Flávio propõe
A campanha propõe ampliar para dois anos a transição para beneficiários que consigam emprego formal ou iniciem um empreendimento. Roma afirmou que a ideia é manter a proteção depois que a pessoa assinar a carteira; Daniella Marques também mencionou quem decidir abrir um negócio.
A proposta de campanha ainda não tem regras operacionais definidas.
- 2 anosProposta da campanhaEmprego formal ou empreendimento
- 12 mesesRegra atualPara novos casos com renda do trabalho
- 50%Pagamento atualDo benefício durante a proteção
- R$ 706Limite de rendaPor pessoa, para novos casos
- 36 mesesRetorno GarantidoPrazo para solicitar após cancelamento
A proposta ainda não detalha o valor do benefício durante o período, o teto de renda permitido ou os critérios para voltar ao programa. A campanha fala em retorno automático se o emprego ou o negócio não der certo, mas não explicou como esse mecanismo seria aplicado. A regra anunciada é uma proposta eleitoral, não uma mudança já incorporada às regras atuais do Bolsa Família.
Como recuperar o Bolsa Família cancelado
O programa já tem um mecanismo chamado Retorno Garantido, que permite prioridade de reinclusão em alguns casos. Pelas regras do MDS, a família que deixou o benefício após o período de proteção ou pediu o desligamento voluntário pode solicitar o retorno em até 36 meses após o cancelamento, se voltar a atender aos critérios de renda.
Para pedir a reinclusão, é necessário atualizar o Cadastro Único e procurar a gestão municipal responsável pelo benefício. O retorno não é automático nem dispensa o cumprimento das regras de renda e cadastro.
Foto de capa: Agência Senado/Wikimedia Commons (Attribution)
