Minerais críticos: Brasil tem previsão de US$ 76,9 bilhões em investimentos
Projeção do Ibram cobre o período de 2026 a 2030; artigo aponta licenciamento, logística e beneficiamento como desafios para o setor.
O setor mineral brasileiro tem previsão de receber US$ 76,9 bilhões em investimentos entre 2026 e 2030, segundo projeção do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). O valor foi citado em artigo de opinião publicado pelo Diário do Comércio em 20 de outubro de 2026, que relaciona a perspectiva à demanda por minerais críticos usados na transição energética.
No texto, um executivo da Falconi ligado à indústria de base defende que o país pode ampliar sua participação nesse mercado, mas afirma que transformar o potencial mineral em novos projetos depende de previsibilidade, infraestrutura e licenciamento. O artigo também destaca a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, sancionada em setembro, como parte do novo marco para o setor.
O que são minerais críticos e por que são importantes?
No contexto da transição energética, são minerais usados na fabricação de baterias, redes elétricas e equipamentos de geração de energia limpa. A transição energética é uma mudança estrutural na forma como a energia é produzida e utilizada, segundo o material de referência.
A eletrificação da economia aumenta a procura por esses insumos. O artigo aponta que a oportunidade para o Brasil não se limita à extração: processar e transformar os minerais no país pode ampliar o valor gerado localmente.
Quais minerais críticos são citados no Brasil?
O artigo menciona lítio, níquel, cobre, nióbio e terras-raras como insumos relacionados à transição energética. Eles são associados à produção de baterias, redes elétricas e equipamentos de geração limpa.
O texto não apresenta uma lista oficial de minerais críticos nem esclarece se terras-raras e minerais críticos são categorias equivalentes. A definição da lista nacional caberá ao conselho previsto na política sancionada em setembro.
O que prevê a política de minerais críticos e estratégicos?
A política criou um conselho vinculado à Presidência da República, encarregado de definir quais minerais entram na lista e de elaborar um plano nacional. Segundo o artigo, a lei também prevê:
- incentivos fiscais e financeiros;
- rastreabilidade da produção;
- estímulo ao beneficiamento no Brasil;
- investimentos empresariais em pesquisa e inovação.
O texto apresenta essas medidas como instrumentos para organizar o setor e favorecer o processamento dos minerais no país. A política não elimina, porém, a necessidade de avaliar custos, retorno e condições de execução dos projetos.
O que pode atrasar novos projetos de mineração?
Previsibilidade regulatória, energia, logística e obtenção de licenças são apontadas pelo artigo como fatores que influenciam as decisões de investimento. O texto defende um licenciamento eficiente e tecnicamente qualificado, sem reduzir as exigências de sustentabilidade, e menciona a importância de dados consistentes e diálogo com as comunidades.
O artigo também cita uma audiência no Senado, em maio, na qual o Ibram destacou uma proposta para priorizar o licenciamento de minerais estratégicos. Segundo o texto, o último grande projeto mineral do país foi a mina S11D, em Carajás, no Pará; desde sua implantação, não teriam surgido novas operações de grande porte.
Foto de capa: NASA Earth Observatory/Wikimedia Commons (Public domain)
