Fraude no INSS: União pagou R$ 3,6 bilhões e cobra valores na Justiça
O ressarcimento alcançou 5,1 milhões de aposentados e pensionistas, mas o governo ainda não recuperou o dinheiro das entidades investigadas.
Uma conta de R$ 3,6 bilhões saiu dos cofres públicos para compensar 5,1 milhões de aposentados e pensionistas por descontos indevidos nos benefícios do INSS. Em 20 de outubro de 2026, o governo ainda tentava reaver os valores na Justiça, sem ter recebido de volta o dinheiro das entidades apontadas no esquema, segundo reportagem de O Globo.
A Advocacia-Geral da União (AGU) informou que entrou com 45 ações contra entidades, empresas e pessoas físicas. Decisões provisórias determinaram o bloqueio de bens e valores dos réus, mas os processos ainda estão no início.
Fraude no INSS: quanto foi devolvido e quanto foi localizado?
O governo pagou R$ 3,6 bilhões a 5,1 milhões de beneficiários que aderiram ao acordo de ressarcimento. Nas contas dos réus, foram encontrados R$ 526 milhões — cerca de 15% do total já desembolsado, conforme a AGU.
Ressarcimentos e bens localizados até 20 de outubro de 2026
- 5,1 milhõesBeneficiáriosReceberam ressarcimento
- R$ 526 milhõesContas localizadasCerca de 15% do valor pago
- 1,6 milhãoReclamações contestadasAguardam manifestação dos beneficiários
Também foram localizados 136 imóveis, 169 veículos e uma embarcação. A localização e o bloqueio desses bens não significam que o dinheiro já tenha sido recuperado pela União.
Como a AGU tenta recuperar o dinheiro?
A AGU ajuizou 45 ações: 37 com base na Lei Anticorrupção e outras 8 para cobrar valores. As decisões liminares autorizaram o bloqueio de bens e recursos dos réus em favor do INSS, mas a Advocacia-Geral afirma que os processos seguem em fase inicial.
A estratégia do governo foi ressarcir primeiro os segurados e buscar a devolução dos valores das entidades depois, por meio da Justiça. Os pagamentos começaram em julho de 2025, após a homologação do acordo pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Como a fraude no INSS foi descoberta?
A Polícia Federal revelou o esquema em abril de 2025, durante a Operação Sem Desconto. A investigação apontou que R$ 6,3 bilhões foram descontados de benefícios e destinados a associações e entidades sindicais conveniadas ao INSS; parte dos descontos teria sido feita sem autorização.
O INSS é a autarquia federal responsável pela administração de benefícios previdenciários, como aposentadorias e pensões. No caso investigado, as mensalidades eram abatidas diretamente desses pagamentos.
Quem foi envolvido e o que acontece com as reclamações?
Além das entidades, as investigações apontaram a participação de advogados, empresários e integrantes da cúpula do INSS. A fonte não identifica essas pessoas pelo nome.
As entidades contestaram as reclamações de cerca de 1,6 milhão de segurados e afirmaram que os descontos haviam sido autorizados. Segundo o INSS, esses casos aguardam a manifestação dos beneficiários.
Uma lei aprovada pelo Congresso proibiu expressamente os descontos associativos nos benefícios. A norma está em vigor desde janeiro de 2026.
