Minas Gerais ainda tem 4,4 milhões em insegurança alimentar
Dados de 2024 também apontam déficit de mais de 506 mil moradias e grande distância de renda entre municípios.
Minas Gerais tinha 4,4 milhões de pessoas em algum nível de insegurança alimentar em 2024, segundo dados do IBGE citados pelo g1. Desse total, 454 mil viviam a forma grave do problema, quando a falta de comida integra o cotidiano.
O estado também registrou déficit habitacional de 506.419 moradias no mesmo ano. Os números expõem diferenças sociais que permanecem mesmo com indicadores mineiros de desenvolvimento próximos à média brasileira e entram entre os desafios para a próxima gestão estadual, que começa em 2027.
Fome recuou, mas ainda alcança milhões
A quantidade de mineiros em insegurança alimentar diminuiu cerca de 10% na comparação com 2023. Ainda assim, o contingente de 4,4 milhões mostra a extensão do problema no estado, conforme os dados divulgados na reportagem.
Na ocupação Guarani Kaiowá, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, famílias relatam que o orçamento não cobre ao mesmo tempo alimentação e melhorias nas casas. Uma moradora ouvida pelo g1 vive com o marido e três filhos em um cômodo de 12 metros quadrados desde que um incêndio destruiu a residência anterior da família.
Renda varia mais de sete vezes
Os dados do Censo de 2022 revelam contraste entre municípios mineiros. Nova Lima registrou rendimento domiciliar mensal por pessoa de R$ 4.299,91, o maior do país, enquanto Monte Formoso teve R$ 590,22, o menor valor de Minas.

| Local | Rendimento domiciliar mensal por pessoa |
|---|---|
| Nova Lima | R$ 4.299,91 |
| Região Metropolitana de Belo Horizonte | R$ 2.112,11 |
| Monte Formoso | R$ 590,22 |
O indicador considera a renda dos moradores de uma residência dividida pelo número de pessoas que vivem no imóvel. Para a professora Danielle Fernandes, do Departamento de Demografia da UFMG, a evolução dos índices gerais não quer dizer que todas as partes do estado tenham melhorado no mesmo ritmo.
Moradia concentra dificuldade no aluguel
O déficit habitacional mineiro equivalia a 6,3% dos domicílios em 2024, abaixo dos 7,4% observados no país. O levantamento inclui imóveis precários, coabitação de famílias e casos em que o aluguel pesa excessivamente sobre a renda.
Indicadores de alimentação, moradia e renda citados na reportagem.
- 4,4 milhõesInsegurança alimentarpessoas em 2024
- 454 milInsegurança gravepessoas em 2024
- 506.419Déficit habitacionalmoradias em 2024
- 386.025Aluguel excessivoregistros em Minas
- R$ 4.299,91Renda em Nova Limapor pessoa, Censo 2022
Em Minas, o comprometimento elevado da renda com aluguel era o componente mais frequente, com 386.025 registros. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, dados apresentados pelo geógrafo Rodrigo Carvalho, do Instituto de Geociências da UFMG, indicam que 12% da população estava em pobreza e 2% em extrema pobreza.
Desafios nas áreas urbanas
Em Belo Horizonte, mais de 13% dos moradores — cerca de 300 mil pessoas — viviam em favelas em 2022, de acordo com dados do Censo citados pelo pesquisador. Ele aponta a necessidade de ampliar a atenção a essas áreas, sobretudo em saneamento e serviços essenciais.
O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal de Minas foi de 0,809, ante 0,805 para o Brasil. O índice reúne informações de renda, educação e expectativa de vida, mas os números de alimentação, habitação e renda mostram desigualdades entre os municípios e dentro da própria Grande Belo Horizonte.
Com informações de g1.
Foto de capa: copagov/Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)
