Inteligência artificial: Trump quer mudar o nome para superinteligência
A expressão surgiu em 1955, ligada a John McCarthy e a um grupo de pesquisadores; especialistas dizem que a proposta não altera a definição técnica da tecnologia.
Donald Trump defende que a inteligência artificial passe a ser chamada de “superinteligência”. O presidente dos Estados Unidos diz que o nome atual faz a tecnologia parecer falsa e afirmou, em discurso na Assembleia Geral da ONU, em setembro, que gostaria de ver a nova expressão em documentos americanos e de outros países.
A proposta não é uma mudança científica ou técnica já estabelecida. Trump também fez enquetes sobre nomes para a tecnologia na rede Truth Social, mas não explicou como a troca seria implementada nem se o setor de tecnologia concorda com ela, segundo a reportagem do g1.
O que é inteligência artificial e como funciona?
Inteligência artificial é a área que desenvolve máquinas e sistemas capazes de realizar tarefas associadas à inteligência humana. A Wikipédia descreve que essas tecnologias podem analisar dados, aprender e usar informações sobre o ambiente para orientar ações voltadas a objetivos definidos.
Termos e acontecimentos ligados ao surgimento da área
- 1948CibernéticaTermo criado por Norbert Wiener
- 1955Nome da áreaExpressão ligada a John McCarthy
- 1956Disciplina acadêmicaConsolidação oficial da inteligência artificial
As aplicações incluem sistemas de recomendação, assistentes virtuais, ferramentas generativas e mecanismos de busca. O nome também abrange diferentes abordagens: alguns pesquisadores defendiam máquinas que reagissem ao ambiente; outros apostavam em estatística e probabilidades para que os sistemas aprendessem, segundo o Museu da História do Computador.
Como surgiu o nome inteligência artificial?
A expressão apareceu em 1955, nos Estados Unidos, em meio a pesquisas sobre máquinas capazes de demonstrar raciocínio. John McCarthy é apontado como o criador do termo, que também esteve ligado ao trabalho de Marvin Minsky, Claude Shannon e Nathaniel Rochester.
Pesquisadores se reuniram no Dartmouth College para discutir como desenvolver máquinas que realizassem tarefas associadas à inteligência humana. A Wikipédia registra que a inteligência artificial se consolidou oficialmente como disciplina acadêmica em 1956. Antes disso, em 1948, Norbert Wiener havia criado o termo “cibernética”, voltado ao estudo de sistemas que usam informações sobre as próprias ações para ajustar seu funcionamento.
O que Trump quer mudar no nome da IA?
Trump prefere “superinteligência” e já colocou outras opções em enquetes na Truth Social, entre elas “inteligência superior”, “inteligência extrema” e “inteligência suprema”. Ele também criticou quem usa o termo inteligência artificial, mas, segundo o g1, não detalhou como a mudança ocorreria.
Especialistas ouvidos pelo site avaliam que a proposta parece ter motivação política ou de marketing, e não representar uma revisão da definição científica da tecnologia. O professor Cleber Zanchettin, da Universidade Federal de Pernambuco, também alertou que o termo “superinteligência” pode soar como ameaça e aumentar a rejeição à IA.
A proposta muda a definição científica da IA?
Não há indicação de que a sugestão de Trump tenha alterado a definição técnica da inteligência artificial. O especialista Anderson Soares afirmou ao g1 que o próprio conceito de inteligência ainda não tem uma definição precisa nas ciências e na tecnologia.
A proposta também foi associada pelo pesquisador Allan Pscheidt à disputa dos Estados Unidos pela inteligência artificial geral, ou AGI, conceito usado para uma tecnologia capaz de realizar uma ampla variedade de tarefas intelectuais em nível semelhante ou superior ao humano. Pscheidt ressalta que não há comprovação científica de que uma superinteligência já exista.
Foto de capa: Daniel Torok/Wikimedia Commons (Public domain)
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