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Inteligência artificial: o que Lula e Flávio propõem para 2026

Planos dos candidatos tratam de regulação, serviços públicos e adoção da tecnologia por empresas.

A inteligência artificial aparece nos planos de governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), que disputam o segundo turno da eleição presidencial de 2026. Em reportagem publicada em 20 de outubro de 2026, o Olhar Digital comparou as propostas dos candidatos sobre IA, data centers e soberania digital; a votação está marcada para 25 de outubro de 2026.

Na área de inteligência artificial, Lula propõe desenvolver tecnologia no Brasil e regulamentar o setor, enquanto Flávio defende ampliar o uso da IA e adotar regras voltadas à inovação. Os dois planos mencionam aplicações em serviços públicos e na economia, mas têm abordagens diferentes sobre o papel do Estado.

O que é inteligência artificial e quando surgiu

Inteligência artificial é a área que desenvolve sistemas capazes de analisar dados, aprender e executar tarefas ou formular recomendações, de acordo com o material de referência. Entre as aplicações estão assistentes virtuais, sistemas de recomendação e ferramentas de criação de conteúdo.

A ideia de máquinas capazes de imitar aspectos do pensamento humano ganhou forma em pesquisas no século 20. Alan Turing discutiu a possibilidade em 1950, e a IA se tornou uma disciplina acadêmica em 1956.

O que Lula propõe para inteligência artificial

O plano de Lula trata a IA como política pública e prevê desenvolver tecnologia nacional, regular o setor e proteger trabalhadores. Também propõe usar ferramentas de inteligência artificial para modernizar o SUS e a indústria.

Entre as medidas estão a criação de um Centro Nacional de Transparência Algorítmica e regras para proteger artistas, músicos, autores e criadores de conteúdo. O documento defende que plataformas paguem pelo uso de conteúdo brasileiro no treinamento ou funcionamento de sistemas de IA e prevê integrar a regulação da tecnologia à de redes sociais.

O plano também cita a difusão de ferramentas de IA em pequenas empresas, no agronegócio, na saúde, nos serviços financeiros e na economia popular. Para o SUS, propõe algoritmos na triagem de pacientes e na organização de filas por risco clínico. Outra medida é uma plataforma de empregabilidade no SINE que conectaria vagas, cursos, certificações e orientação profissional.

O que Flávio Bolsonaro propõe para inteligência artificial

O plano de Flávio apresenta a IA como meio de aumentar a eficiência do setor público e a produtividade das empresas. A proposta defende uma legislação voltada à liberdade de criar e inovar e a evitar regulações que possam ser vistas como barreiras por empresas de tecnologia.

Para micro, pequenas e médias empresas, prevê levar soluções de IA em larga escala, com foco em indústria, agronegócio, saúde e logística. O documento também propõe incentivar patentes brasileiras e usar compras públicas para estimular a indústria nacional de tecnologia.

Na saúde pública, a IA seria usada para organizar consultas e exames e encaixar pacientes na primeira vaga disponível. Entre as propostas de segurança estão um sistema nacional de reconhecimento facial conectado a bancos de dados criminais e a mais de um milhão de câmeras, além do uso de IA e drones por órgãos de segurança e pelas Forças Armadas.

Quais desafios os especialistas apontam

Os especialistas ouvidos pelo Olhar Digital avaliam que as propostas diferem principalmente sobre o nível de intervenção do Estado, mas apontam dificuldades de implementação. José Batista Queiroz Filho, especialista em transformação digital, resumiu a diferença dizendo que um plano prioriza construir a tecnologia e estabelecer regras, enquanto o outro enfatiza criar condições para acelerar sua adoção.

Thiago Muniz, especialista em tecnologias emergentes, afirmou que regulação e inovação não são necessariamente incompatíveis. Já Lucas Reis, pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital, associou a proposta de Flávio à postura atual do governo dos Estados Unidos e a de Lula à abordagem buscada pela União Europeia. Reis também apontou obstáculos para acompanhar algoritmos de plataformas e riscos ligados à falta de regulação.

Foto de capa: Palácio do Planalto from Brasilia, Brasil/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Tiago da Silva Cândido

Tiago da Silva Cândido é especialista em SEO em Maceió (AL), com atuação em SEO técnico, e-commerce na plataforma VTEX, SaaS e link building. Coordena o link building da AceleraVix e o SEO da D2UN, e já passou por Moskit CRM, Agência FG e Carajás Home Center. É o responsável pelo Folha de Negócios.