Desemprego no Chile chega a 9,6% em meio a crise e ajuste fiscal
Indicador está no maior nível em mais de cinco anos, enquanto a economia encolheu no primeiro semestre de 2026.
O desemprego no Chile chegou a 9,6%, o maior nível em mais de cinco anos, em meio à desaceleração da economia e ao ajuste fiscal do governo de José Antonio Kast. Os dados foram divulgados em outubro de 2026, quando o país também registrava queda da atividade econômica e aumento dos preços dos combustíveis.
O quadro combina fatores diferentes: redução de gastos e investimentos públicos, alta do petróleo após o início da guerra no Irã e queda da produção mineradora. A economia chilena recuou no primeiro semestre, enquanto o governo defende que o pacote de reformas e a austeridade podem estimular investimentos e crescimento.
Qual é a taxa de desemprego no Chile em 2026?
A taxa de desemprego no Chile está em 9,6%, segundo os dados citados em reportagem publicada em 21 de outubro de 2026. O indicador é o mais alto em mais de cinco anos.
Dados citados na reportagem publicada em outubro de 2026.
- 9,6%DesempregoMaior nível em mais de cinco anos
- -0,5%PIB no 1º trimestreVariação anual
- cerca de 17,4%Mineração em agostoQueda anual
- cerca de 30%Alta da gasolinaNa Região Metropolitana de Santiago
- mais de 40%Alta do dieselNa Região Metropolitana de Santiago
O desemprego acompanha um período de atividade econômica fraca. O Produto Interno Bruto (PIB) chileno caiu 0,5% no primeiro trimestre e 0,2% no segundo, na comparação com os mesmos períodos do ano anterior.
Por que o desemprego aumentou no Chile?
A alta ocorre em meio à desaceleração de setores importantes e a medidas de contenção de gastos, mas os dados disponíveis não atribuem o desemprego a uma causa única. Os investimentos produtivos, públicos e privados, ficaram sem crescimento no segundo trimestre, principalmente por causa da queda da construção civil. A demanda interna também avançou pouco.
A mineração, setor central para as exportações chilenas, recuou cerca de 17,4% em agosto, na comparação anual, e chegou ao menor nível em três décadas. O resultado foi associado a interrupções nas operações, condições climáticas adversas em julho e agosto e à tendência de baixa da produção de cobre ao longo do ano.
A alta dos combustíveis também pressionou famílias e empresas. Após o início da guerra no Irã, o governo decidiu não intervir para conter os preços, que subiram de acordo com o mercado. Na Região Metropolitana de Santiago, a gasolina ficou cerca de 30% mais cara entre os dias anteriores ao conflito e meados de outubro; o diesel aumentou mais de 40% no período.
Como o ajuste fiscal afeta a economia chilena?
O governo de Kast adotou cortes de gastos para reduzir o déficit público, mas a diminuição das despesas também reduz a demanda na economia, segundo o economista Nicolás Saldías, ouvido pela reportagem. As medidas incluem um corte de 3% nos orçamentos de todos os ministérios e a redução dos investimentos públicos diretos.
O aumento dos combustíveis foi chamado de “bencinazo” no Chile e provocou manifestações. De acordo com o economista Joan Domene, da Oxford Economics, a decisão de deixar os preços subirem afetou a confiança dos consumidores. O encarecimento do combustível também foi repassado a outros custos e contribuiu para a inflação.
Qual é a previsão para a economia do Chile?
O Banco Central chileno reduziu a previsão de crescimento para 2026 para uma faixa de 0,25% a 0,75%, após a queda da mineração em agosto. O Fundo Monetário Internacional estima expansão de 0,6% no ano.
Para 2027, as projeções citadas na reportagem indicam possível aumento da produção mineradora e uma leve desaceleração dos preços globais de energia. Caso esse cenário se confirme e não ocorram novos problemas, o economista Joan Domene considera possível uma recuperação da economia a partir do primeiro trimestre do ano.
Foto de capa: Wikimedia Commons (CC BY 3.0 cl)
