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Aquecimento global vai superar 1,5°C e pode chegar a 2,8°C, diz ONU

Relatório do Pnuma projeta alta de até 2,6°C se os países cumprirem as metas atuais e aponta que as emissões ainda não caíram.

O aquecimento global deve ultrapassar 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais, segundo um relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) divulgado em 21 de outubro de 2026. Se os países cumprirem todas as promessas climáticas atuais, a temperatura média do planeta poderá subir 2,6°C até 2100; com as políticas já em vigor, a projeção chega a 2,8°C.

O documento, a 17ª edição do Relatório sobre a Lacuna de Emissões, compara os compromissos climáticos nacionais com o que seria necessário para limitar o aquecimento. O Pnuma afirma que a passagem do patamar de 1,5°C se tornou inevitável, mas diz que ainda é possível voltar a esse nível até o fim do século.

O que é aquecimento global e como acontece

Aquecimento global é o aumento da temperatura média da atmosfera e dos oceanos, associado ao acúmulo de gases de efeito estufa emitidos por atividades humanas. A queima de carvão, petróleo e gás natural e as mudanças no uso da terra, como o desmatamento, estão entre as fontes desses gases.

Esses gases dificultam que parte do calor da Terra escape para o espaço. O fenômeno altera o clima e pode afetar ciclos naturais, como o da água; aquecimento global e efeito estufa, portanto, não são a mesma coisa: o efeito estufa é um processo natural intensificado pelas emissões, enquanto o aquecimento é o aumento da temperatura média.

Quanto pode subir a temperatura até 2100?

As projeções do Pnuma variam conforme o nível de ação climática adotado. O cenário baseado nas políticas atuais é mais quente do que o que considera o cumprimento integral das promessas já apresentadas pelos países.

InfográficoProjeções de aquecimento até 2100

O aumento varia conforme as políticas e promessas climáticas adotadas.

2,8°C
Políticas atuaisProjeção para este século
  • 2,8°CPolíticas atuaisNeste século
  • 2,6°CPromessas cumpridasAté 2100
  • 1,7°C a 1,8°CPico com medidas rigorosasPor volta de 2050
  • 1,5°CRetorno no cenário favorávelAté 2100
Fonte: Programa das Nações Unidas para o Meio AmbienteFolha de Negócios
Cenário ou etapa Projeção
Políticas em vigor 2,8°C neste século
Promessas climáticas cumpridas 2,6°C até 2100
Pico com medidas mais rigorosas 1,7°C a 1,8°C por volta de 2050
Retorno no cenário mais favorável 1,5°C até 2100

A chance de voltar a 1,5°C até 2100 é estimada em cerca de 50%, mesmo no cenário mais favorável analisado. Esse caminho também exigiria retirar da atmosfera aproximadamente 320 bilhões de toneladas de dióxido de carbono ao longo do século, por meio de recuperação de florestas e tecnologias de captura e armazenamento de carbono. O relatório aponta obstáculos econômicos e tecnológicos para fazer isso na escala necessária.

Quais são as consequências do aquecimento global?

O aquecimento amplia os riscos de ondas de calor, secas, enchentes e incêndios florestais, além de ameaçar ecossistemas. O Pnuma também alerta para danos que podem ser irreversíveis, como a perda de grandes massas de gelo e a destruição de recifes de coral.

A duração da passagem acima de 1,5°C também importa: quanto mais tempo o planeta permanecer nesse patamar ou além dele, maiores tendem a ser os danos à saúde, à economia e à natureza. O relatório registra que, em 2025, as emissões globais somaram cerca de 58,4 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente, volume semelhante ao de 2024; a margem de incerteza não permite afirmar que elas começaram a cair.

Como combater o aquecimento global?

O relatório defende acelerar a troca de combustíveis fósseis por fontes renováveis, reduzir as emissões de metano e conter o desmatamento. Em mensagem divulgada junto ao documento, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que as emissões precisariam cair quase 6% ao ano até 2035 para que o mundo retomasse uma trajetória compatível com a meta mais ambiciosa do Acordo de Paris.

O acordo, firmado em 2015, busca manter o aumento da temperatura bem abaixo de 2°C e reúne esforços para limitar a alta a 1,5°C. O Pnuma também aponta avanços na expansão das energias renováveis, mas avalia que as medidas adotadas ainda precisam ganhar escala para conter o aquecimento.

Foto de capa: U.S. Department of State from United States/Wikimedia Commons (Public domain)

Tiago da Silva Cândido

Tiago da Silva Cândido é especialista em SEO em Maceió (AL), com atuação em SEO técnico, e-commerce na plataforma VTEX, SaaS e link building. Coordena o link building da AceleraVix e o SEO da D2UN, e já passou por Moskit CRM, Agência FG e Carajás Home Center. É o responsável pelo Folha de Negócios.