Museu do Ipiranga é mapeado com tecnologia 3D usada no Coliseu
Levantamento a laser permite comparar o prédio antes e depois da restauração e criar um modelo digital para orientar a conservação.
Pesquisadores usaram um scanner a laser 3D para mapear o Museu do Ipiranga, na Zona Sul de São Paulo. O levantamento registra a estrutura do prédio histórico para acompanhar mudanças após a restauração e apoiar a preservação preventiva.
O projeto reúne a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade de Ferrara, na Itália. A equipe italiana, que já havia feito um escaneamento do museu antes da reforma, realizou o novo trabalho ao longo de três semanas, entre setembro e outubro, sem interromper a rotina do espaço.
Como o equipamento mapeia o prédio
Portátil, o scanner tem dimensões próximas às de uma caixa de sapato e registra pontos das paredes, pisos e fachadas com raios laser. As medições formam uma representação detalhada das superfícies, em vez de se limitarem a medidas feitas com trena e pontos de referência de cada cômodo.
Segundo a reportagem, os dados podem revelar desníveis, variações de umidade e sinais pequenos de mofo. O conjunto é reunido em um arquivo digital, que permite observar características do edifício com precisão de milímetros.
Um modelo para planejar a conservação
O resultado é um modelo tridimensional chamado de “gêmeo digital”, produzido por meio de uma técnica conhecida como HBIM, sigla em inglês para Modelagem de Informação da Construção Histórica. Como a equipe também escaneou o museu entre 2017 e 2018, antes da restauração, os registros permitem comparar as condições do prédio nos dois momentos.
O modelo também pode ser usado para simular situações como temporais mais intensos e períodos de calor forte. De acordo com o professor Marcello Balzani, da Universidade de Ferrara, interpretar os dados exige conhecimento técnico: o equipamento reúne informações, mas são os pesquisadores que avaliam o que elas indicam.
A tecnologia e o acervo do museu
A mesma equipe aplicou a tecnologia no Coliseu, em Roma. Na Itália, o trabalho de documentação do monumento produziu cerca de 150 terabytes de informações, processadas por máquinas e analisadas pelos pesquisadores.
Dados do levantamento e do Museu do Ipiranga
- 2017 a 2018Escaneamento anteriorAntes da restauração do museu
- 20 anosParceria de pesquisaUSP e Universidade de Ferrara
- cerca de 150 terabytesDados do ColiseuInformações geradas pelo trabalho na Itália
- mais de 450 mil itensAcervo do museuObjetos, fotografias e documentos
O Museu do Ipiranga, inaugurado em 1895 e tombado nas esferas municipal, estadual e federal, guarda mais de 450 mil itens, entre objetos, fotografias e documentos. A parceria de pesquisa entre a USP e a Universidade de Ferrara existe há 20 anos.
Foto de capa: ProtoplasmaKid/Wikimedia Commons (CC BY 4.0)
