Formalização avança, mas 65% de autônomos e empregadores seguem sem CNPJ
Pesquisa do IBGE mostra recorde de registros em 2025, com diferenças por região, atividade e escolaridade.
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A proporção de empregadores e trabalhadores por conta própria com CNPJ chegou a 35% em 2025, o maior nível da série do IBGE iniciada em 2012. Apesar do avanço, 65% desse grupo ainda não tinham empreendimento registrado, segundo a PNAD Contínua – Características Adicionais do Mercado de Trabalho, divulgada nesta quarta-feira (23).
O crescimento foi puxado pelos trabalhadores por conta própria, cuja cobertura de CNPJ passou de 15% para 27,1% entre 2012 e 2025. Entre os empregadores, a taxa avançou de 75,6% para 81,1% no período. Os comparativos históricos não consideram 2020 e 2021, quando a pandemia prejudicou a coleta e a divulgação dos dados.
Diferenças entre autônomos e empregadores
O registro é mais frequente entre empregadores do que entre quem trabalha por conta própria. No primeiro grupo, 81,1% tinham CNPJ em 2025; no segundo, 72,9% seguiam sem registro.
- 15%2012
- 27,1%2025
- 72,9%Sem CNPJ em 2025
- 50,8%Com superior completo
- 11,1%Sem instrução ou fundamental incompleto
Segundo William Kratochwill, analista de pesquisas do IBGE, parte dos trabalhadores por conta própria está no início de um empreendimento ou passou a atuar de forma independente após perder uma ocupação. O pesquisador afirmou que a pesquisa não permite identificar se a alta dos registros está ligada à pejotização.
A formalização também variou conforme o setor. Entre os trabalhadores por conta própria, comércio e reparação de veículos tiveram a maior cobertura, enquanto agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura ficaram na menor posição.
| Atividade entre trabalhadores por conta própria | Com CNPJ em 2025 |
|---|---|
| Comércio e reparação de veículos | 36,7% |
| Serviços | 33,5% |
| Indústria geral | 22,8% |
| Construção | 14,8% |
| Agricultura e atividades relacionadas | 6,5% |
Regiões e escolaridade ampliam a distância
O Sul registrou a maior proporção de empregadores e trabalhadores por conta própria com CNPJ, com 46,7%. Sudeste e Centro-Oeste tiveram 41,6% cada, acima da média nacional. Norte, com 15,6%, e Nordeste, com 20,1%, apresentaram os menores percentuais.

Entre os trabalhadores por conta própria, a cobertura aumenta conforme a escolaridade. Pela primeira vez, mais da metade dos que tinham ensino superior completo possuía CNPJ: 50,8%. Já entre pessoas sem instrução ou com ensino fundamental incompleto, a taxa foi de 11,1%.
O que os dados mostram para pequenos negócios
A pesquisa aponta que o CNPJ se tornou mais comum entre quem empreende ou trabalha por conta própria, mas a formalização permanece desigual. A construção foi o segmento com maior avanço entre os empregadores: passou de 36,4% em 2012 para 58,2% em 2025.
Entre os autônomos, a construção também avançou, de 3,9% para 14,8% no mesmo intervalo. De acordo com o analista do IBGE, o registro pode trazer benefícios e contribuições para a economia, embora a cobertura entre trabalhadores por conta própria ainda seja baixa.
Com informações de g1.
Foto de capa: Val.superstar/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
