Demissões na Argentina: Milei planeja cortar mais 20 mil vagas públicas
O programa começa em 1º de novembro de 2026 e se soma a mais de 77 mil postos eliminados desde dezembro de 2023.
O governo de Javier Milei anunciou em 19 de outubro de 2026 um programa para reduzir em 20 mil o número de postos na administração pública da Argentina. A medida prevê que servidores aceitem deixar o emprego em troca de pagamentos, e integra a política de redução dos gastos do Estado.
A iniciativa terá duração de um mês, a partir de 1º de novembro de 2026. O valor oferecido dependerá da idade e do tempo de serviço de cada funcionário; quem aderir não poderá voltar a trabalhar na administração pública por oito anos, segundo informações apuradas pela AFP.
Como será o plano de demissões na Argentina?
O plano busca reduzir o quadro de funcionários públicos por meio de adesões ao desligamento. O decreto que instituiu a medida apresenta como objetivo reorganizar o uso dos recursos públicos. O governo espera eliminar mais 20 mil postos, além dos cortes feitos desde que Milei assumiu a Presidência, em dezembro de 2023.
A Associação de Trabalhadores do Estado (ATE), sindicato que representa servidores, anunciou uma marcha contra o programa. Seu secretário-geral, Rodolfo Aguiar, afirmou que a entidade considera a medida coercitiva e rejeita o decreto.
Quantos empregos públicos já foram cortados?
Dados divulgados em setembro pelo ministro Federico Sturzenegger apontam que 77,5 mil postos foram eliminados no Estado nacional desde dezembro de 2023. O número equivale a 21% das vagas públicas nacionais, segundo os dados apresentados pelo ministro.
Meta do novo programa e dados sobre emprego desde dezembro de 2023.
- 20 milMeta de novos cortespostos públicos
- 77,5 milVagas públicas eliminadasdesde dezembro de 2023
- 270 milPostos privados eliminadossegundo fontes sindicais
O novo plano pode ampliar esse total caso alcance a meta anunciada pelo governo. A administração de Milei tem tratado a redução do funcionalismo como parte de sua estratégia de contenção das despesas estatais.
O que aconteceu com o emprego no setor privado?
O mercado de trabalho argentino também registrou perdas no setor privado formal. Fontes sindicais citadas na reportagem apontam que 270 mil postos foram eliminados nesse segmento no período desde dezembro de 2023.
Sturzenegger, por outro lado, declarou que 400 mil vagas foram criadas. Esse total inclui trabalhadores informais e autônomos, por isso não corresponde apenas a empregos formais. A informalidade aumentou três pontos percentuais em três anos e chegou a cerca de 45%, segundo os dados citados pela reportagem.
Foto de capa: Quirinale/Wikimedia Commons (Attribution)
