Candidatos ao governo de SP divergem sobre privatizações de Sabesp e CPTM
Planos enviados ao TSE vão da reestatização de empresas e fim de concessões à ampliação da participação privada.
A privatização de empresas e serviços públicos é um dos temas das eleições de 2026 para o governo de São Paulo. Os planos apresentados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pelos candidatos trazem propostas que vão da retomada do controle estatal sobre Sabesp, CPTM e Metrô à ampliação de concessões e desestatizações.
As divergências envolvem também energia, rodovias, portos, aeroportos, saúde, educação e tecnologia. Segundo os documentos analisados pelo Metrópoles, o debate contrapõe diferentes visões sobre a atuação do estado na prestação de serviços e na administração de empresas públicas.
Propostas de reestatização
Carlos Machado, do PCB, propõe reestatizar a Sabesp, o sistema energético paulista, a CPTM e o Metrô. O plano prevê que a administração da Sabesp fique sob gerência dos trabalhadores e também sugere a criação de uma empresa pública para expandir a área de tecnologia, com retomada de ativos digitais estratégicos.
Izadora Dias, do PCO, defende a reestatização de empresas que, segundo seu plano, foram entregues ao capital estrangeiro. Entre as medidas estão a estatização do sistema financeiro em um banco estatal único, a nacionalização do petróleo e das reservas minerais e a criação de uma estatal para explorar terras raras.
Vera Lúcia, do PSTU, e Vivian Mendes, da UP, também defendem a retomada de empresas e serviços pelo poder público. As propostas incluem:
- reestatização da CPTM e do Metrô;
- reversão de privatizações nos setores de água e energia;
- fim ou reversão de concessões, PPPs e organizações sociais em áreas citadas nos planos.
Vivian Mendes propõe a retomada integral do controle público da Sabesp, com redução de tarifas e gestão de trabalhadores e usuários. Ela também defende reestatizar a geração e a distribuição de energia em São Paulo, revertendo as privatizações da Enel e da Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae), além do Porto de Santos.
Fiscalização e novas concessões
Fernando Haddad, do PT, não propõe reestatizar a Sabesp em seu plano. A prioridade indicada é reforçar a fiscalização sobre empresas privadas, com previsão de multas e punições quando os serviços não forem prestados com qualidade ou dentro dos prazos.
Para trens, metrô e rodovias pedagiadas, o plano de Haddad prevê fiscalização direta dos cronogramas. O documento, conforme o Metrópoles, concentra-se no acompanhamento da execução dos contratos.
Na direção oposta, o governador Tarcísio de Freitas, candidato à reeleição, defende fortalecer privatizações, atrair investimentos privados, conceder serviços públicos e desestatizar ativos. Entre suas propostas estão:
- concluir a desestatização da Sabesp;
- antecipar para 2029 a meta de universalização de água e esgoto na área operada pela companhia;
- ampliar portos e aeroportos concedidos ou privatizados;
- expandir parcerias nas áreas de saúde e educação.
Candidatura indeferida
A candidata Policial Edjane, do Agir, teve a candidatura indeferida pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo em 18 de setembro, segundo o Metrópoles, e não poderá disputar o governo estadual. Por isso, ela não aparece entre os planos analisados na comparação sobre privatizações.
O que está em discussão
As propostas tratam de serviços que afetam moradores e empresas, como fornecimento de água, energia, mobilidade e uso de rodovias. A definição do próximo governo poderá influenciar a continuidade de concessões, o grau de fiscalização estatal e eventuais mudanças no controle de companhias públicas.
Com informações de metropoles.com.
Foto de capa: Tiago Costa/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)
