NASA leva modelos de cérebro e coração à estação espacial para pesquisa
Experimentos na Estação Espacial Internacional vão analisar efeitos da microgravidade e da radiação em tecidos humanos e outros organismos.
A NASA enviou modelos de tecidos de cérebro e coração à Estação Espacial Internacional (ISS) para estudar como o ambiente espacial afeta células humanas. Os materiais chegaram ao laboratório orbital em 15 de outubro, a bordo de uma cápsula Dragon, da SpaceX, que partiu em 12 de outubro na missão de reabastecimento CRS-35.
Os experimentos investigam possíveis alterações provocadas pela microgravidade e pela radiação. A previsão é que os materiais retornem à Terra em meados de novembro para serem comparados com amostras e dados obtidos em solo, segundo as informações da missão reunidas pelo R7.
O que será estudado nos tecidos humanos
Um dos testes usará modelos tridimensionais de tecido neural cultivados em laboratório, chamados miBrains. Eles devem permanecer na estação por cinco semanas. A equipe pretende observar mudanças nas células e no material genético e investigar possíveis relações com o envelhecimento e doenças neurológicas.

Outro experimento examinará a ligação entre inflamação e enfermidades neurodegenerativas por meio de organoides, estruturas feitas de células humanas que reproduzem algumas características de tecidos. As pesquisas podem ampliar o conhecimento sobre Alzheimer, Parkinson e esclerose múltipla, mas ainda são experimentais e não representam tratamentos disponíveis.
O tecido cardíaco será usado para avaliar como a ausência da gravidade terrestre interfere na formação e no funcionamento de estruturas do coração. Os resultados também poderão informar estudos de doenças cardiovasculares e avaliação de medicamentos.
Pesquisas além dos tecidos humanos
A carga inclui um teste sobre a produção de camadas de uma proteína sensível à luz, a bacteriorrodopsina, para o desenvolvimento de retinas artificiais. A equipe quer verificar se a microgravidade permite formar camadas mais uniformes. A tecnologia ainda depende de pesquisa e desenvolvimento antes de uma possível aplicação médica.
Outros projetos vão avaliar um equipamento compacto para detectar componentes em amostras biológicas e estudar bactérias resistentes a antibióticos. Entre elas estão duas espécies de Enterococcus identificadas na estação: E. faecalis e E. faecium. A investigação busca entender seu comportamento em ambiente fechado e em microgravidade.
A missão também leva um estudo sobre infecções que atingem plantas cultivadas no espaço. Entender como essas doenças evoluem pode ajudar no planejamento de cultivos para viagens prolongadas, nas quais os vegetais podem complementar a alimentação e contribuir para a absorção de dióxido de carbono e a produção de oxigênio.
Com informações de noticias.r7.com.
Foto de capa: NASA/Wikimedia Commons (Public domain)
