Mulheres sem renda lideram denúncias de violência doméstica no Grande ABC
Foram 312 registros entre janeiro e setembro; especialistas dizem que a falta de recursos pode dificultar a saída de relações abusivas.
Mulheres sem rendimento formaram o grupo mais numeroso entre as vítimas com situação financeira informada nas denúncias de violência doméstica do Grande ABC. De janeiro a setembro, foram 312 registros, equivalentes a 30% dos 1.053 casos com informação sobre renda, segundo levantamento do Diário com dados do Ligue 180.
A plataforma contabilizou 1.858 denúncias de agressões físicas, verbais e outras violências na região durante o período. Em 805 delas, não havia informação sobre os rendimentos das vítimas; por isso, os dados não permitem concluir que a violência seja mais frequente entre mulheres sem renda.
O que os registros mostram
Entre as denúncias com dados financeiros, 213 foram feitas por mulheres que recebiam de um a dois salários mínimos, e 212 por aquelas com renda de meio a um salário mínimo. Cada grupo correspondeu a 21% dos registros com renda informada. As vítimas que recebiam até meio salário mínimo somaram 152 queixas; o levantamento atribui a esse número 11% do total de denúncias.
Registros do Ligue 180 entre janeiro e setembro
- 1.858Denúncias totaisAgressões e outras violências
- 1.053Renda informadaDenúncias com dados financeiros
- 805Renda não informadaCasos sem informação financeira
- 212De meio a 1 salário mínimo21% dos registros com renda informada
A advogada Loiane Lopes afirmou que mulheres com maior poder aquisitivo também podem sofrer violência e permanecer em silêncio. Segundo ela, a falta de recursos pode dificultar o acesso a apoio jurídico, a manutenção dos filhos e a reconstrução da vida fora da relação abusiva.
Autonomia e rede de proteção
A economista e professora Alessandra Santos Rosa, da Universidade Municipal de São Caetano, avaliou que a dependência financeira pode limitar as condições para deixar um ambiente de agressão. A inspetora de alunos Andrea Reginei de Araújo Martins relatou ter sido impedida de trabalhar durante um relacionamento abusivo e disse que fazia trabalhos informais sem conseguir obter independência.
Lopes defendeu que oportunidades de trabalho sejam acompanhadas por proteção, acolhimento e assistência. Entre as medidas citadas por ela estão apoio psicológico, orientação jurídica, assistência social e acesso a abrigos.
Serviços oferecidos nos municípios
As prefeituras da região informaram iniciativas de apoio às mulheres. Entre elas estão:
- Em São Bernardo, o CRAM oferece orientação sobre direitos e apoio psicossocial. O programa Tem Saída SBC atua com empregabilidade e qualificação profissional.
- Em Mauá, o Renova Mulher prevê qualificação, educação financeira, empreendedorismo e acesso a microcrédito. A meta informada é atender 2.020 mulheres nos próximos dois anos.
- Em São Caetano, um convênio com a Casa Abrigo oferece acolhimento provisório a mulheres e filhos em risco de vida.
- Em Diadema, a Casa Beth Lobo atua com a rede socioassistencial e a identificação de direitos.
Com informações de dgabc.com.br.
Foto de capa: Jhlimones/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
