Moda de luxo aposta em experiência para reagir à queda no consumo
Semanas de Moda de Milão e Paris ocorrem sob pressão por vendas mais fracas, custos altos e maior disputa por clientes ricos.
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As Semanas de Moda de Milão e Paris começam em meio à desaceleração do consumo de luxo, à pressão sobre as margens e à incerteza econômica associada ao conflito no Oriente Médio. A Prada abre a programação de Milão na terça-feira, enquanto a semana parisiense começa em 28 de setembro.
Segundo pesquisas citadas pela Bain e outras consultorias, consumidores da classe média reduziram os gastos com produtos de luxo. Para compensar essa perda de demanda, marcas ampliam investimentos em coleções, lojas e atendimento personalizado, mesmo com a necessidade de melhorar o desempenho financeiro.
Pressão sobre preços e margens
A Kering, dona da Gucci, perdeu os ganhos obtidos desde a chegada de Luca de Meo à presidência executiva, há um ano, conforme a fonte. Já a LVMH acumula queda de 37% desde o início de 2026, em um cenário no qual bolsas de grife e outras categorias perderam força.
Federico Bazzani, sócio da Deloitte Advisory, afirmou à Reuters que menos da metade das marcas está crescendo, enquanto as demais perdem espaço. Na avaliação dele, as empresas têm duas saídas: reforçar inovação, experiência do cliente e relevância cultural para sustentar os preços ou revisar valores, com margens menores.
A redução de preços pode afetar tanto a rentabilidade quanto a percepção de exclusividade, segundo o consultor David Watts. Por outro lado, cortar a produção pode limitar a receita, o que mantém a pressão sobre as decisões de preço e volume.
Desfiles e atendimento a clientes ricos
Grandes apresentações de passarela podem custar até 10 milhões de euros, segundo estimativas de especialistas citadas pela fonte. As marcas precisam demonstrar que esse gasto em desfiles, criação e marketing se transforma em demanda após os eventos.

A Prada reformulou sua loja principal em Milão e incluiu espaços reservados a clientes de maior poder aquisitivo. A estratégia acompanha a disputa mais intensa por consumidores ricos, que também se mostram mais atentos à relação entre preço e valor entregue.
A programação reúne, entre outras marcas:
- Prada, que abre a Semana de Moda de Milão na terça-feira.
- Gucci, Dolce & Gabbana e Giorgio Armani, com apresentações em Milão.
- Dior e Louis Vuitton, entre os destaques da Semana de Moda de Paris.
- Chanel, com coleção primavera/verão 2027 marcada para 5 de outubro.
O que muda para pequenos negócios
O movimento das marcas de luxo reforça uma questão que também atinge empresas menores: aumentar preços sem apresentar mudanças percebidas pelo cliente pode dificultar as vendas. A leitura da Deloitte é que inovação, atendimento e posicionamento ajudam a justificar o valor cobrado; a alternativa apontada é reduzir preços e aceitar margens menores.
A mudança nos hábitos de consumo também pesa. Renzo Rosso, presidente da OTB, afirmou que consumidores têm direcionado recursos para bem-estar, saúde, longevidade, hotéis e restaurantes, o que amplia a concorrência pelos gastos discricionários.
Com informações de br.advfn.com.