Flávio Bolsonaro apaga posts antigos contra o Bolsa Família
Publicações chamavam o benefício de “bolsa-farelo”; campanha do senador agora promete manter o programa e propõe uma regra de transição de dois anos.
O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apagou publicações antigas em que criticava o Bolsa Família e chamava o benefício de “bolsa-farelo”. A exclusão foi noticiada em 19 de outubro de 2026 por veículos como O Povo, que identificou os posts em um arquivo das publicações do senador no X.
Na mesma data, Flávio disse, em vídeo publicado no Instagram, que os beneficiários podem ficar tranquilos porque o benefício está garantido. A coordenadora econômica de sua campanha, Daniella Marques, afirmou que um eventual governo do senador pretende adotar uma regra de transição de dois anos para quem aumentar a renda ou conseguir emprego formal.
O que Flávio Bolsonaro propõe para o Bolsa Família
Segundo Daniella Marques, a transição permitiria que beneficiários abrissem negócios ou aceitassem empregos com carteira assinada sem perder imediatamente o benefício. Ela afirmou que haveria retorno automático ao programa caso a pessoa não conseguisse oportunidades. A proposta foi apresentada em entrevista à CBN Bahia.
Marques comparou a ideia às regras que atribuiu ao governo Lula: segundo ela, hoje a família mantém o Bolsa Família por um ano após aumentar a renda ou conseguir emprego formal, e pode retornar ao programa em até 36 meses. Para a proposta de Flávio, ela mencionou a manutenção por dois anos e o retorno automático. Essas informações foram apresentadas pela coordenadora da campanha.
Após a entrevista, perfis do PT e de apoiadores do presidente Lula divulgaram que Flávio pretendia desligar beneficiários depois de dois anos. Daniella gravou um vídeo para contestar essa interpretação, e o senador acusou a esquerda de espalhar uma mentira.
O que diziam os posts apagados
As publicações excluídas criticavam o Bolsa Família e o PT. Em um post de 2013, Flávio acusava o partido de manter pessoas dependentes do benefício para preservar votos. Em outro, de 2014, questionava a forma de calcular o desemprego e associava o recebimento do programa à falta de procura por trabalho.
Marcos citados na cobertura sobre as críticas ao Bolsa Família e a proposta de campanha.
- 2011Crítica ao Renda MelhorFlávio chamou o programa de “bolsa-farelo”
- 2013Post sobre o PTPublicação criticava o Bolsa Família
- 2014Post sobre desempregoPublicação questionava o cálculo da taxa
- junho de 2026Arquivo de publicaçõesMaterial do X foi baixado
- 19 de outubro de 2026Exclusão dos postsReportagens registraram a remoção
O senador também usou “bolsa-farelo” para criticar o Renda Melhor, programa criado pelo governo do Rio de Janeiro em 2011. Segundo O Povo, a iniciativa pagava um valor adicional de até R$ 300 a famílias que já recebiam o Bolsa Família e tinha como objetivo combater a extrema pobreza. Na época, Flávio era deputado estadual e se opôs ao projeto na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
O que é o Bolsa Família e como funciona
O Bolsa Família é um programa federal de transferência de renda. De acordo com o material de referência, ele foi criado para apoiar famílias de baixa renda e associa a transferência a critérios relacionados à renda familiar, à matrícula escolar dos filhos e à vacinação, entre outros.
O programa foi instituído por medida provisória em 2003, durante o governo Lula, e a medida virou lei em janeiro de 2004. A primeira versão foi substituída pelo Auxílio Brasil em 2021; após a eleição de Lula em 2022, o nome Bolsa Família voltou a ser usado, e uma nova versão foi lançada em 2023.
Como a discussão chegou à campanha de 2026
O tema voltou ao debate eleitoral com a proposta de transição de dois anos e a exclusão das antigas publicações. O Povo informou que o arquivo usado para localizar os posts foi baixado em junho de 2026 e reunia textos, datas, horários e links das publicações de Flávio no X. A reportagem também registrou que a campanha foi questionada sobre a exclusão, mas não havia respondido até a publicação.
Foto de capa: Agência Senado/Wikimedia Commons (Attribution)
