Imposto sobre grandes fortunas: Califórnia pode aprovar taxa de 5%
Proposição 40 prevê cobrança única sobre o patrimônio líquido de bilionários; se aprovada, valerá para quem morava no estado em 1º de janeiro de 2026.
Eleitores da Califórnia podem aprovar a Proposição 40, que cria um imposto único de 5% sobre o patrimônio líquido de bilionários residentes no estado. A medida, em votação estadual, pretende arrecadar US$ 100 bilhões para compensar cortes de recursos federais destinados à saúde, segundo os defensores da proposta.
A cobrança seria retroativa a 1º de janeiro de 2026. Uma pesquisa divulgada em setembro de 2026 apontou que 45% dos eleitores mais propensos a votar apoiavam a iniciativa, 42% eram contrários e 13% estavam indecisos. A proposta precisa da maioria dos votos para ser aprovada.
O que prevê o imposto sobre grandes fortunas na Califórnia?
A Proposição 40 estabelece uma cobrança única de 5% sobre o patrimônio líquido de pessoas com pelo menos US$ 1 bilhão que residiam na Califórnia em 1º de janeiro de 2026. A proposta se dirige a pouco mais de 200 bilionários do estado, segundo a reportagem do g1, que reproduz informações da BBC.
Imposto proposto e intenção de voto na Califórnia
- 5%Alíquota propostaCobrança única
- US$ 100 bilhõesArrecadação estimadaPara financiar a saúde
- 45%FavoráveisPesquisa de setembro de 2026
- 42%ContráriosPesquisa de setembro de 2026
- 13%IndecisosPesquisa de setembro de 2026
A pesquisa do Instituto de Estudos Governamentais da Universidade da Califórnia em Berkeley e do Los Angeles Times mediu o apoio à proposta:
| Posição na pesquisa | Eleitores consultados |
|---|---|
| Favoráveis | 45% |
| Contrários | 42% |
| Indecisos | 13% |
Quem pagaria e quanto a proposta pretende arrecadar?
O imposto seria aplicado a bilionários que moravam na Califórnia na data de referência, mesmo que tenham deixado o estado depois. Pelo menos seis bilionários teriam se mudado antes de 1º de janeiro de 2026 para evitar a cobrança, de acordo com a reportagem.
Os defensores estimam arrecadar US$ 100 bilhões, cerca de R$ 496 bilhões, para compensar cortes no financiamento federal da saúde na Califórnia. A proposta é apresentada pelo Sindicato Internacional dos Empregados em Serviços — Trabalhadores da Saúde Unidos do Oeste como uma solução temporária para a perda de recursos.
Por que o imposto sobre bilionários divide opiniões?
Os apoiadores afirmam que a cobrança faria os mais ricos contribuírem para o financiamento da saúde e ajudaria a reduzir a desigualdade patrimonial. Entre os nomes que apoiam a iniciativa está Jensen Huang, CEO da Nvidia.
O governador Gavin Newsom é contrário à proposta e teme que bilionários deixem a Califórnia, reduzindo a arrecadação do imposto de renda. Sergey Brin, cofundador do Google, doou mais de US$ 100 milhões a uma organização política que financia iniciativas para bloquear o imposto, segundo o Los Angeles Times. O empresário Don Hankey disse à Forbes que se mudou para Nevada por causa da proposta.
Há imposto sobre grandes fortunas no Brasil e no mundo?
O Brasil prevê o Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF) na Constituição Federal de 1988, mas o tributo não foi regulamentado e, por isso, não pode ser aplicado, conforme o material de referência. A Constituição atribui à União a competência para instituí-lo.
A Califórnia não é o único lugar que discute tributos sobre riqueza. No estado de Washington, eleitores avaliam uma proposta de imposto de 9,9% sobre rendimentos anuais acima de US$ 1 milhão — uma cobrança sobre renda, não sobre patrimônio. Na Europa, impostos sobre patrimônio ainda existem na Espanha, na Noruega e na Suíça, segundo Kristian Niemietz, do Instituto de Assuntos Econômicos.
Foto de capa: Christian Mehlführer, User:Chmehl/Wikimedia Commons (CC BY 3.0)



