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Tratamento precoce da covid: governo Bolsonaro publicou 107 boletins

Levantamento também identificou 142 notícias em sites oficiais que mencionavam medicamentos sem eficácia comprovada contra a doença.

O Ministério da Saúde do governo Jair Bolsonaro publicou ao menos 107 boletins sobre possíveis tratamentos para a covid-19, segundo levantamento divulgado pelo ICL Notícias em 24 de outubro de 2026. Os documentos, reunidos sob o título “Evidências Científicas”, incluíam referências a cloroquina, hidroxicloroquina e ivermectina, medicamentos sem eficácia comprovada contra a doença.

O estudo também encontrou 142 notícias em páginas oficiais do governo que defendiam direta ou indiretamente essas terapias. A análise foi feita por Ergon Cugler, pesquisador do DesinfoPop, laboratório ligado à Fundação Getulio Vargas (FGV), e examinou conteúdos oficiais publicados entre 2019 e 2022.

O que foi o tratamento precoce da covid-19

A expressão “tratamento precoce” foi usada para defender o emprego de medicamentos como cloroquina e hidroxicloroquina contra a covid-19. De acordo com o levantamento, os boletins do Ministério da Saúde reuniam estudos e referências favoráveis a possíveis terapias, embora não houvesse comprovação de eficácia desses remédios contra a doença.

O que o levantamento encontrou sobre a cloroquina

Além dos boletins, a pesquisa identificou materiais oficiais que mencionavam cloroquina, hidroxicloroquina ou ivermectina. Parte dos documentos recorria a revisões de estudos sem critérios padronizados de avaliação; outros citavam pesquisas em estágio inicial ou ainda sem revisão por pares, etapa em que pesquisadores avaliam a qualidade de um estudo.

InfográficoO levantamento em números

Materiais oficiais sobre medicamentos citados no tratamento precoce.

107
BoletinsClassificados como “Evidências Científicas”
  • 107BoletinsSobre possíveis tratamentos para a covid-19
  • 142Notícias oficiaisEm portais do governo
  • 1.868Conteúdos analisadosMateriais únicos de sites oficiais
Fonte: Levantamento de Ergon Cugler divulgado pelo ICL NotíciasFolha de Negócios

O levantamento também apontou que documentos oficiais continuaram a citar a cloroquina após um estudo clínico brasileiro ter sido interrompido por aumento de arritmias cardíacas entre pacientes que receberam doses mais altas. Segundo a análise, períodos de maior defesa pública do tratamento precoce coincidiram com aumento na publicação de materiais institucionais sobre os medicamentos.

Como o levantamento foi feito

Cugler reuniu conteúdos de sites do governo federal que citavam cloroquina, hidroxicloroquina ou ivermectina e analisou os materiais individualmente. Ao todo, o estudo examinou 1.868 conteúdos únicos, incluindo documentos de ministérios e autarquias.

Dado identificado Quantidade
Boletins “Evidências Científicas” 107
Notícias em portais oficiais 142
Conteúdos únicos analisados 1.868

Como está a investigação sobre a gestão da pandemia

Em setembro de 2025, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou a abertura de inquérito da Polícia Federal para apurar fatos apontados no relatório final da CPI da Pandemia. A comissão pediu o indiciamento de Bolsonaro por nove crimes, entre eles charlatanismo e infração a medidas sanitárias preventivas.

A investigação segue sob sigilo. Segundo o ICL Notícias, a Polícia Federal pediu mais prazo para avançar nas apurações e, até a publicação do levantamento, não havia novas decisões públicas sobre o caso.

Foto de capa: Jefferson Rudy/Agência Senado/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

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Tiago da Silva Cândido

Tiago da Silva Cândido é especialista em SEO em Maceió (AL), com atuação em SEO técnico, e-commerce na plataforma VTEX, SaaS e link building. Coordena o link building da AceleraVix e o SEO da D2UN, e já passou por Moskit CRM, Agência FG e Carajás Home Center. É o responsável pelo Folha de Negócios.

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