Estudo identifica mecanismos celulares ligados à longevidade de Jonathan
A tartaruga-gigante de 194 anos mantém ativos reguladores genéticos associados ao reparo do DNA e à produção de energia.
Jonathan, uma tartaruga-gigante que vive na ilha de Santa Helena, tem 194 anos e é considerado o animal terrestre mais longevo do mundo. Uma análise genética investigou como ele conserva funções celulares relacionadas à resistência ao envelhecimento.
O estudo, publicado na revista Science Advances na quarta-feira (7), comparou o material genético de Jonathan com o de outras quatro tartarugas da mesma espécie. Os pesquisadores identificaram marcas químicas no DNA e características genéticas associadas à manutenção das células.
O que a análise encontrou
Os dados indicam que os reguladores genéticos de Jonathan ligados ao reparo do DNA e ao metabolismo se parecem com os observados em tartarugas mais jovens. Também foi identificado pouco “ruído” em marcas químicas relacionadas à função das mitocôndrias, ao processamento de RNA e à reparação do genoma.
Segundo Justin Gerlach, pesquisador da Universidade de Cambridge e um dos autores do trabalho, esses reguladores permaneceram estáveis por quase dois séculos. O sequenciamento também não apontou sinais de deterioração genética em Jonathan. A equipe associa essas características a processos que ajudam a reduzir inflamações, regular a insulina e limitar danos celulares.
A vida de Jonathan em Santa Helena
A tartaruga foi levada das Ilhas Seychelles para Santa Helena em 1882, como presente para William Grey-Wilson, então governador da ilha. Na época, Jonathan tinha cerca de 50 anos e foi instalado nos jardins da residência do governador, onde permanece há 144 anos.
Idade, chegada a Santa Helena e comparação genética.
- 194 anosIdade de JonathanAnimal terrestre mais longevo do mundo
- 1882Chegada à ilhaLevado das Seychelles para Santa Helena
- 50 anosIdade ao chegarPresente para o governador da ilha
- 144 anosNa residênciaInstalado nos jardins do governador
A espécie de Jonathan pode viver cerca de cem anos, de acordo com o material publicado pelo g1. A equipe recolheu amostras dele por raspagens na bochecha e por coleta de sangue pela boca; outros quatro exemplares, de idades diferentes, serviram de comparação.
Stephen Clark, diretor da Fundação Kallel e outro autor do estudo, afirmou que os pesquisadores querem transformar o conhecimento sobre a resiliência celular da tartaruga em tratamentos acessíveis para pessoas. O trabalho, porém, descreve características genéticas de Jonathan; não apresenta um tratamento humano baseado nelas.
Com informações de g1.
Foto de capa: NorbertNagel/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
