Banco de Portugal alerta para riscos financeiros acelerados por novas tecnologias
Governador citou ciberameaças, inteligência artificial e dependência tecnológica ao apresentar avaliação do FMI sobre o sistema financeiro português.
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O governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, afirmou que novas tecnologias aceleram o surgimento e ampliam a complexidade dos riscos financeiros. A declaração foi feita em Lisboa, na abertura de uma conferência sobre o Programa de Avaliação do Setor Financeiro português, conduzido neste ano sob coordenação do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Segundo Santos Pereira, a avaliação ocorre cerca de 20 anos depois do último exercício do tipo em Portugal, realizado em 2006. O governador disse que o sistema bancário do país passou por mudanças profundas nesse período e hoje tem maior capacidade de absorver choques, mas ressaltou que a estabilidade financeira exige acompanhamento permanente.
Avaliação aponta sistema mais resistente
De acordo com o governador, os testes de estresse realizados no âmbito do programa indicam que os bancos portugueses conseguiriam resistir a cenários muito adversos. Ele afirmou que, na última década, as instituições reforçaram capital e liquidez, melhoraram a qualidade dos ativos e reduziram vulnerabilidades acumuladas no passado.
Santos Pereira também atribuiu parte dessa evolução ao fortalecimento dos mecanismos de supervisão, de política macroprudencial e de resolução de crises dentro da arquitetura europeia. Para ele, os avanços não permitem tratar a resiliência como uma condição permanente.
Tecnologia amplia fontes de risco
O governador apontou a inovação tecnológica, as ciberameaças, a incerteza geopolítica e vulnerabilidades associadas às mudanças climáticas como fatores que podem criar novos canais de propagação de choques no sistema financeiro. Na avaliação dele, digitalização, inteligência artificial e a dependência crescente de ecossistemas tecnológicos complexos transformam o ambiente de operação das instituições financeiras.
Ele citou a interrupção de energia que atingiu a Península Ibérica em abril de 2025 como exemplo da relevância da resiliência operacional e de estruturas redundantes. Segundo Santos Pereira, esses elementos não devem ser vistos apenas como questões técnicas.
O que o alerta sinaliza
A fala não anunciou mudança de regra nem medida específica para empresas. O ponto central, segundo o Banco de Portugal, é que a solidez do sistema financeiro depende de instituições capazes de se adaptar à evolução dos riscos, especialmente os ligados à tecnologia.
Com informações de dn.pt.